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12/03/2015 - Para Gabrielli, não existe corrupção sistêmica na Petrobras

 

O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli disse que não existe corrupção "sistêmica" na Petrobras. A declaração foi feita durante depoimento de Gabrielli na CPI da Petrobras nesta quinta-feira (12). "Na minha visão, não há corrupção sistêmica na Petrobras. Isso não quer dizer que não haja corrupção na Petrobras. Só que o problema da corrupção da Petrobras é um problema individualizado", disse Gabrielli.

Na última terça-feira (11), o ex-gerente-executivo da Petrobras Pedro Barusco havia declarado à CPI que a corrupção na estatal foi "institucionalizada" a partir de meados de 2003 e 2004. Barusco afirmou que o PT teria recebido entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões em dinheiro oriundo de propina.

"Não concordo com a ideia, a meu ver construída, de tentar vincular a corrupção de alguns a um sistema de corrupção geral da empresa. A empresa não se montou para ser uma empresa corrupta", afirmou Gabrielli à CPI.

A corrupção na Petrobras é investigada pela CPI e por procuradores federais da Operação Lava Jato, que apura desvios de recursos da estatal estimados em R$ 10 bilhões.

Cara de pau

Pouco antes da declaração de Gabrielli, a CPI foi palco de um momento de tensão. Durante sua fala, o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) chamou Gabrielli de "cara-de-pau" por se negar a "colaborar" com as investigações. "Ele afronta a inteligência dos brasileiros (...) é um cara-de-pau", disse Sampaio.

A declaração causou reação da deputada Maria do Rosário (PT-RS) e de outros deputados governistas presentes à CPI. Os microfones tiveram o sinal cortado e Gabrielli não respondeu às declarações de Sampaio. 

Leandro Prazeres
Do UOL, em Brasília

12/03/201518h18